quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Distúrbios otológicos




Tomaremos como referência a anatomia do ouvido para facilitar a compreensão dos dois distúrbios tratados mais adiante. A divisão é feita em externo, médio e interno, sendo que os dois últimos carregam um interesse especial. 
No terço lateral do canal auditivo externo (ouvido externo) ocorre um
crescimento de pêlos. Isso é observado majoritariamente no sexo

masculino por se tratar de uma característica sexual secundária. Outra alteração relacionada à idade se trata da atrofia das glândulas produtoras de cera tendo como consequência um ressecamento e acúmulo de cera na região da tuba auditiva. O ouvido médio, correspondente à cavidade timpânica, contêm 3 ossículos (martelo, bigorna e estribo) que se articulam através de diartroses sinoviais. Normalmente, o ouvido médio sofre alterações no decorrer da vida, sendo estas de diferentes graus, porém sempre associadas às articulações entre os ossículos já citados. Apesar de uma total obliteração destas, detectou-se através de exames específicos que isso nada influi na transmissão do som. Doença rara observada em idosos é a otosclerose. Esse distúrbio acomete o ouvido médio e mais especificamente a ligação entre o estribo e a janela oval (comunicação com o ouvido interno), impedindo assim a condutividade sonora. O ouvido interno, constituido pelo vestíbulo, três canais semicirculares (orgãos do equilíbrio), a cóclea (orgão da audição) e os aquedutos coclear e vestibular, é o local onde ocorre uma doença denominada presbiacusia, definida pela lenta e progressiva queda da sensibilidade auditiva própria do envelhecimento (perda de audição neurossensorial). Esse distúrbio impede que o idoso tenha a mesma acuidade auditiva em determinadas faixas de frequência sonora, ocorrendo assim uma perda da sensibilidade em frequências mais altas.


Fontes:
Huntz, Arhon; Temas de geriatria e gerontologia. Porto Alegre. Ed.Fundo editorial;
Calkins, Evans, et al. Geriatria Prática. 2⁰ edição. Rio de Janeiro.Ed. Revinter.

domingo, 15 de novembro de 2009

Osteoporose Senil


Doença que aflige parcela significativa da população senil brasileira, a osteoporose, caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea, vem tomando lugar de destaque devido a fatos como a expectativa de vida crescente da nossa população e os custos gerados pela fraturas decorrentes do enfraquecimento ósseo causado por tal enfermidade, como bem aponta em seu artigo sobre Osteoporose Senil, Eliane Battani Dourador, pesquisadora Laboratório de Metabolismo Ósseo da Universidade de São Paulo.
A matriz óssea é formada por uma parcela orgânica e uma inorgânica cuja composição apresenta basicamente íons de cálcio e íons fosfato formando cristais de hidroxiapatita. O tecido ósseo apresenta tipos celulares como os osteócitos, osteoblastos e osteoclastos que são responsáveis por lhe conferir tal característica. Os osteócitos são responsáveis por manterem a integridade da matriz, já os osteoblastos sintetizam substâncias orgânicas como o colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Pois bem, as figuras que ocupam lugar de destaque são os osteoclastos, células fagocitárias dos ossos, pois estão envolvidos na reabsorção da matriz óssea, ou seja, atuam na liberação de cálcio na circulação. O que controla tal dinâmica é a relação hormonal principalmente dos chamados hormônios como a Calcitonina, produzida pela tireóide que impede a reabsorção óssea e seu antagonista, o Paratormônio (PTH), produzido pela paratireóide, atuando também nos rins e no intestino.
A menopausa, alteração hormonal observada nas mulheres na faixa de idade em torno de 45 anos, principalmente no que diz respeito à diminuição na produção de hormônios estrógenos, que estimulam a produção de calcitonina, é o grande responsável pela alta incidência de osteoporose na população feminina. Além disso, as mulheres naturalmente apresentam uma menor massa óssea.


O seguinte quadro, retirado do artigo citado anteriormente, indica outras alterações bioquímicas e fisiológicas relacionadas à osteoporose senil:



Os tratamentos de tal disfunção baseiam-se na suplementação com compostos de cálcio, vitamina D cujo composto ativo é o calcitriol, terapia de reposição hormonal, bisfosfonatos, que impedem a atuação dos osteoclastos.

Fontes: Anatomia Orientada para a Clínica, Moore e Dalley
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27301999000600010&lang=pt
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042008000500009&lang=pt

Postado Por: Pedro Rafael

Arteriosclerose no envelhecimento

A arteriosclerose é uma doença crônica caracterizada pelo depósito de gordura, cálcio, e outros elementos na parede das artérias. Como conseqüência desse processo, acontece uma redução do calibre das artérias afetadas, uma redução da flexibilidade destas e um déficit sanguíneo aos tecidos irrigados por elas.
O início da doença se dá quando monócitos, células brancas do organismo com apenas um núcleo, depositam-se nas paredes arteriais e começam a acumular gordura, formando as placas ateroscleróticas características da arteriosclerose.
Essa doença provoca uma irregularidade nas paredes das artérias afetadas, havendo, assim, uma predisposição à coagulação sanguínea nesse local, que, caso ocorra, pode levar a uma oclusão arterial aguda. A oclusão dessas artérias impede que o sangue trazido chegue aos tecidos nutridos por elas, fazendo com que estes tecidos sofram isquemia, ou seja, sofram de falta de oxigênio, e entrem, desse modo, em um processo de necrose.
A arteriosclerose normalmente afeta várias artérias no organismo, e o estado de saúde de cada indivíduo vai depender de que artéria foi afetada. O bloqueio de artérias coronárias pode, por exemplo, causar um enfarte. Pode-se haver dores ao andar, caso sejam afetadas artérias femorais ou ilíacas, e também pode-se ter um derrame caso se afetem as artérias carótidas.
Ela é uma doença de desenvolvimento lento e progressivo, começa nos primeiros anos de vida, e somente no adulto é que ela se manifesta. Caracteriza-se por ser uma doença que afeta principalmente homens dos 50 aos 70 anos, sendo que altos níveis de gordura circulante, principalmente o colesterol, são preponderantes para o desenvolvimento dessa doença.

http://www.conhecersaude.com/idosos/3052-Arteriosclerose.html
 
Postado Por: Lucas Reis

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Prêmio Nobel de Fisilogia ou Medicina 2009


Para iniciarmos os trabalhos em nosso blog optamos por mostar o quanto o tema "envelhecimento" esta sendo alvo de diversas pesquisas. O mais recente e notável estudo relacionado ao tema foi explorado de maneira tão inovadora que resultou em um dos mais importantes prêmios do mundo acadêmico. Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak foram os cientistas responsáveis por um trabalho que certamente abre diversas portas no desenvolvimento de estudos relacionados ao poder que determinadas estruturas têm na manutenção e conservação dos cromossomos.
O trabalho começou em 1982, quando dois dos cientistas citados uniram seus respectivos trabalhos na formulação de um artigo que mostrava a manutenção da estrutura de uma molécula de DNA linear quando esta encontrava-se no interior de uma levedura, associada a uma sequência de nucleotídeos (telômero) presentes na maioria dos animais. Dois anos mais tarde, Carol Greider começou a investigar se a formação do telômero tinha relação com alguma ação enzimática, e após algum tempo de trabalho chegou a conclusão de que o telômero era construido por uma enzima, nomeando-a de telomerase. Sabe-se hoje que esta enzima é reponsável por manter o comprimento do telômero, proporcionando assim, que a cópia deste seja feita até o final pela DNA polimerase, ou seja, não haverá um encurtamento dos cromossomos e que consequentemente permanecerão intactas e integras suas porções finais. Como o encurtamento de cromossomos está diretamente relacionado ao envelhecimento celular, seu estudo está sendo essencial no entendimento da dinâmica da senescência.

A dinâmica da telomerase:

A duplicação do DNA só é possível graças à atuação de enzimas, os catalisadores biológicos. O DNA apresenta-se na forma de fita dupla com sentido antiparalelo, ou seja, enquanto em uma extremidade de uma das fitas apresenta o carbono 3’ da pentose presente na estrutura do nucleotídeo, a extremidade correspondente da outra fita apresenta o carbono 5’.
Para que ocorra a replicação de DNA, a fita dupla é aberta com o auxílio da DNA-helicase, ficando assim expostas as sequências que servirão de molde para a atuação de outra enzima que irá promover a ligação de nucleotídeos complementares em tais moldes, a DNA-polimerase.
Entretanto, a DNA polimerase sintetiza apenas na direção 5’-3’, o que faz com que a fita que se apresenta no sentido 3’-5’ não seja complementada diretamente. Para contornar tal problema, um primer de RNA é colocado na sequência a ser duplicada para que a DNA-polimerase possa a partir de tal sequência iniciar o trabalho de pareamento de nucleotídeos. Após tal evento, as sequências de RNA, os primers, são retirados e substituídos por um respectivo fragmento de DNA, tudo isso por meio de enzimas, como a DNA-ligase.
O fato de o DNA ser sintetizado somente na direção 5’-3’ implica na duplicação descontínua da fita de replicação. Quando o aparato se aproxima da extremidade da fita não há como colocar um novo primer necessário para a replicação de sequências que estão nas pontas. Contudo, as extremidades cromossômicas de eucariotos apresentam os telômeros, fragmentos repetidos de DNA produzidos por meio da ação da telomerase. Sendo assim, não se perderia na duplicação o segmento de DNA localizado na extremidade do cromossomo, evitando a perda de material genético que poderia influenciar na funcionalidade da célula.
Fonte: Alberts, Bruce et al. Fundamentos da Biologia celular

Postado por: Rodrigo Bresani e Pedro Rafael


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Nossa proposta

O envelhecimento, inerente ao ser humano, está cada vez mais em voga devido às mudanças socioculturais sofridas pelas sociedades atuais. Um dos reflexos disso é a tendência à inversão das pirâmides etárias de vários países do mundo. Um dado que corrobora tal situação é o divulgado pela ONU em 11 de abril de 2007 que expunha a previsão de que as pessoas com mais de 60 anos representarão 32% da população mundial em 2050 e superarão pela primeira vez na história o número de crianças.

Costuma-se definir envelhecimento como um processo progressivo do declínio das capacidades física e mental, incluindo o aparecimento de doenças crônicas. Sendo assim, vários estudos são realizados visando minimizar os efeitos patológicos do envelhecimento e aumentar a qualidade de vida do idoso.

Nosso grupo, portanto, pretende abordar alguns aspectos que permeiam o processo do envelhecimento:

*A nível biológico, trataremos do envelhecimento celular, da influência dos exercícios físicos, das alterações sofridas pelos processos bioquímicos (produção de radicais livres ao longo da vida, a ação de neurotransmissores e a influência das vitaminas e de outros nutrientes presentes nos alimentos), de doenças relacionadas à velhice como osteoporose, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, aterosclerose, entre outros. E os fatores evolucionistas e genéticos, como os envolvidos no caso da progeria, doença devastadora que ocorre devido à mutação de um único gene capaz de provocar envelhecimento precoce. Ainda sobre fatores genéticos discorreremos a respeito do papel da telomerase, enzima responsável por problemas associados à velhice.

*A nível psico-social, o grupo pretende demonstrar como as pessoas encaram o fato de envelhecer e os problemas advindos desse processo. A depressão, por exemplo, quadro recorrente na população mais velha, decorre de fatos cotidianos como problemas familiares (stress), o aparecimento de rugas, relacionadas ao colágeno, o desenvolvimento de algumas enfermidades, a menopausa característica das mulheres que ocorre com a diminuição da síntese de determinado hormônio. Abordar a impotência sexual correlacionando a processos bioquímicos como o papel do óxido nítrico e seus tratamentos. Ressaltar o papel que a estética exerce junto ao envelhecimento, buscando apagar as indesejadas ‘marcas do tempo’ e apresentar sempre uma aparência de jovialidade, tudo isso por meio das inovações cirúrgicas como a aplicação de botox, dentre outros métodos que serão abordados.

Por fim, o grupo pretende veicular de maneira clara e eficiente, as suas propostas dando enfoque aos aspectos bioquímicos tendo em vista a esclarecer dúvidas diretamente relacionadas aos problemas e necessidades da sociedade como um todo.